DiHub
28/08/2026

A Operação Sinete prendeu servidores de cartório, advogados e corretores por fraude fundiária em Feira de Santana. Nove meses depois, o processo ainda corre e mostra por que verificar quem está do outro lado do negócio virou parte do processo, não um detalhe.
Doze carros. Duas motocicletas. Joias. Dinheiro em espécie. E um grupo que reunia servidor de cartório, advogado, corretor e empresário na mesma investigação. Foi isso que a Polícia Civil da Bahia encontrou em novembro de 2025, quando a Operação Sinete cumpriu 47 mandados de busca e apreensão em Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado, por fraudes fundiárias, documentos falsos e lavagem de dinheiro. Sete pessoas presas e bloqueio judicial de valores autorizados, com até R$6 milhões bloqueados por CPF e R$60 milhões por CNPJ dos investigados.
Nove meses depois, o processo segue vivo. Em fevereiro, a Justiça manteve a ação penal contra 11 acusados por organização criminosa e corrupção ativa. Em junho, revogou as primeiras prisões preventivas do caso. JornalfolhadoestadoGlomes E isso diz muito sobre o novo momento do mercado imobiliário baiano.
A Bahia nunca vendeu tanto imóvel Salvador entrou em 2026 como uma das cidades com maior procura por imóvel do Brasil. O Índice de Demanda Imobiliária, do ecossistema Sienge com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, colocou a capital baiana entre as cidades com maior demanda no primeiro trimestre do ano, com destaque para a dinâmica econômica da cidade e o desempenho dos lançamentos recentes. Salvador ocupa a 16ª posição nacional também no segmento de alto padrão.
Os números batem junto. Em janeiro, o Valor Geral de Vendas do setor no estado avançou 41% na comparação com o mesmo mês de 2025, e o número de unidades vendidas subiu 32%. Olhando dois anos para trás, a conta impressiona mais ainda: o VGV de janeiro saltou de R$ 213 milhões, em 2024, para R$ 529 milhões, em 2026 alta acumulada de 148%.
Em maio veio o dado que resume o momento. Uma pesquisa da Ademi-BA mostrou que a intenção de compra de imóvel no Brasil chegou a 52%, o maior patamar da série histórica iniciada em 2019. No Nordeste, o índice sobe para 59% , o maior entre todas as regiões do país.
Foi nesse clima que a Ademi-BA abriu, no fim de julho, a segunda edição do Salão Imobiliário do ano no Salvador Shopping. Trinta construtoras e incorporadoras reunidas até 16 de agosto, com simulação de financiamento e atendimento especializado para todos os perfis de compradores. A pesquisa apresentada no evento reforçou o cenário: 59% dos nordestinos pretendem comprar um imóvel nos próximos dois anos, o maior índice já registrado pelo levantamento.
O metrô entrou na conta também. A expansão do sistema metroviário de Salvador se consolidou como um dos principais vetores de valorização imobiliária nas regiões atendidas pela linha, segundo a própria Ademi-BA. E no litoral, o padrão segue outra lógica: Praia do Forte se firmou como um dos destinos mais desejados do mercado imobiliário de luxo do Brasil, enquanto Trancoso se tornou um dos principais polos do turismo de alto padrão do país, impulsionando o mercado de segunda residência e propriedades de uso exclusivo.
O crescimento não fica só na capital Feira de Santana entrou no roteiro. Também Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano. O Salão Imobiliário deste ano já apresentava lançamentos em Salvador, Feira de Santana e Luís Eduardo Magalhães, com studios e apartamentos a partir de R$ 280 mil.
É outro sintoma do mesmo movimento. O dinheiro está circulando por mais cidades, com mais agentes novos no jogo construtora, corretor, investidor, incorporadora que nunca tinha atuado na região.
O problema por trás do boom E é exatamente nesse ambiente que a Operação Sinete aconteceu. A investigação começou como um caso de grilagem de terra em Feira de Santana.
Terminou expondo algo maior. Um grupo criminoso responsável por fraudes documentais, grilagem de terras e lavagem de capitais, com participação de servidores de cartório, empresários, advogados, corretores e agentes públicos.
O detalhe que mais preocupa o setor não é o volume de bens apreendidos. É a composição do grupo. O esquema não dependia só de invadir terra. Dependia de gente por dentro do sistema gente com acesso técnico ao registro, capaz de dar aparência de legalidade a uma fraude.
A Prefeitura de Feira de Santana levou o caso a sério. Em janeiro deste ano, criou por portaria um Grupo Especial de Apuração Fundiária, com prazo de 180 dias para auditar registros cartorários, loteamentos e áreas públicas municipais.
Em agosto, outra operação reforçou o padrão. A Operação Aposta Suja, do Ministério Público da Bahia com o do Rio de Janeiro, apreendeu carros de luxo em outro condomínio de Feira de Santana, ligado a um esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro de R$1,4 bilhão. Coincidência de cidade. Não de padrão: dinheiro de origem duvidosa continua encontrando caminho até o imóvel de alto valor.
Por que isso importa para quem faz negócio hoje A matrícula do imóvel resolve parte do problema. Ela mostra o histórico da propriedade.
Mas não mostra quem é a pessoa ou a empresa do outro lado da mesa. Não mostra se o CPF do comprador tem processo em aberto. Não mostra se o CNPJ da construtora que acabou de chegar à cidade tem sócio com histórico de fraude em outro estado. Não mostra se o corretor que está apresentando o imóvel responde a alguma ação judicial.
Com o volume de transações que a Bahia vive agora, mais cidades, empresas novas, mais investidores de fora do estado essa lacuna fica mais visível, e mais cara. A DiHub chega à Bahia A DiHub chega ao mercado baiano para cobrir exatamente essa lacuna.
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Ela não é cartório. Não substitui a matrícula do imóvel. O que ela faz é investigar quem está do outro lado do negócio: o comprador, o vendedor, a construtora, etc.. No ambiente que a Bahia vive hoje, com mercado aquecido e agente novo entrando todo mês, essa camada de verificação deixou de ser diferencial. Virou parte do processo.
Com mais de 2 milhões de certidões emitidas, mais de R$21 bilhões transacionados com apoio da plataforma e churn zero entre os clientes que a utilizam, a DiHub chega ao mercado baiano no momento em que o volume de negócios pede mais estrutura de verificação, não menos.
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